Uma das esperanças é que o Governo Federal participe mais das ações relacionadas aos transportes coletivos.
Mais um ano se inicia e, do ponto de vista da mobilidade, estimativas em relação à melhoria da qualidade de vida da população nas cidades, em especial de quem usa transporte coletivo.
As esperanças são praticamente as mesmas que de anos anteriores, o que não é algo bom, porque significa que em nível nacional, pouco foi feito. Soma-se aos problemas crônicos da mobilidade, a necessidade de recuperar, ao menos em parte, as perdas provocadas e agravadas por anos de pandemia de covid-19: sem financiamento público na maior parte do país, sistemas de transportes colapsaram, com paralisação de linhas e fechamento de empresas de transportes. Os sistemas que não pararam, tiveram de apertar mais o cinto e, muitas vezes, a população sente isso na pele.
O que o passageiro quer e merece, todos sabem: viagens mais rápidas, ônibus/trens/metrôs mais modernos, trabalhadores de transportes mais qualificados, tarifas mais baixas, pontualidade, limpeza e facilidade de pagamento. Mas para isso, o modelo precisa mudar… de novo volta a ser a esperança. Na maior parte do País, só as tarifas subsidiam os transportes, o que é injusto: deixa a tarifa muito cara para quem paga e insuficiente para cobrir os custos. É necessário que todos, mesmo que em proporções diferentes, ajudem a custear os transportes, inclusive quem não usa, mas que é beneficiado pelos ônibus, trens e metrôs com a redução de congestionamentos e poluição.
Neste ano, depois do que parece ter sido o ápice da crise de mobilidade do século até agora, há sinalizações de que o Governo Federal deve participar mais atividade da busca da solução ou ao menos amenização do problema. O Congresso deve começar a votar em fevereiro alguma forma de que recursos federais ajudem os prefeitos e governadores na manutenção dos transportes.
Há três opções de financiamento dos transportes pelo Governo Federal que estão em debate:
– A União custear as gratuidades para idosos com 65 anos de idade ou mais
– O Governo Federal pagar um VTS (Vale-Transporte Social) para pessoas beneficiárias de programas sociais registradas no CadÚnico e também para desempregados registrados no Caged
– O Governo Federal custear ou desonerar o óleo diesel dos ônibus, que somente em 2021 teve 65% de reajuste de preço.
Agora é torcer para que estas esperanças “não se renovem”, porque aí vai ser sinal de que muitos dos problemas continuarão sem solução.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes .